• Amanda Ourofino

A importância da pausa



Acabei de tirar 2 semanas de férias. Não fazia isso desde o recesso de Natal/Ano Novo e nem no meio da quarentena eu parei. Claro que tive dias bem improdutivos - e tenho certeza de que eles continuarão a existir na minha rotina - ou dias em que apenas preciso sentar com meu crochê ou tricô e ver um monte de filme na TV, mas eu não considero esses dias propriamente férias, já que não paro de pensar em trabalho. Acho que são apenas dias de ócio criativo mesmo ou apenas da parte prática do trabalho. 


Antes das férias que tirei agora eu vinha numa maratona de trabalho bem pesada. E eu percebi que tenho uma tendência a não desligar a cabeça uma vez que começo a fazer as coisas. Ao mesmo tempo, tenho momentos tensos de procrastinação, em que acho bem difícil cumprir os itens da minha agenda. Alguém mais é assim?


Desde que comecei a empreender sozinha - quando eu era fotógrafa de casamentos eu tinha uma sócia e me sentia muito motivada por ela e pelo nosso trabalho juntas - eu tive que desenvolver uma rotina que funcione para mim. "Mas não é isso que todo mundo faz, Amanda?" você pode me perguntar. Sim, claro. Mas quando temos um chefe, uma sócia ou trabalhamos fora de casa, temos uma tendência a cumprir horários que não necessariamente são ligados à nossa rotina pessoal ou pelo menos eu tinha uma tendência a me adaptar mais facilmente à rotina que era conjunta, a me organizar também em relação à outra(s) pessoa(s). Por isso foi bem difícil para mim essa adaptação. Claro que parte da minha rotina precisa se adequar aos horários da família (marido e filha, no meu caso), mas uma coisa super importante para mim foi entender os horários e ciclos que me regem individualmente. Por exemplo, em qual parte do dia eu estou mais atenta e ativa, em qual parte do dia estou mais dispersa, quantas horas preciso dormir à noite, qual o melhor horário para fazer atividade física, etc. 


Mas não era sobre a minha rotina que eu queria falar, e sim sobre a pausa. Desde que entendi melhor a minha rotina e desenhei os planos e projetos que eu queria realizar profissionalmente, eu engatei uma coisa após a outra. Entenda, mesmo que meus projetos ainda não estejam públicos, acontece muita coisa (muita mesmo) nos bastidores. E claro, muitas coisas acontecem mais lentamente do que eu gostaria porque tenho que aprender do zero. Às vezes eu penso em todas as áreas do meu negócio e honestamente me pergunto como vou dar conta de tudo. Tenho planos de delegar várias coisas inclusive, assim que as finanças permitirem. 



Nas férias trabalhei em dois projetos. Clique nos vídeos para visualizá-los lá no Instagram.


Aliás, descobri duas coisas importantes nesse primeiro semestre de 2020: a primeira é que delegar é necessário e importante para a saúde mental. Mesmo que seja pouco ou quase nada no início. Mesmo que seja delegar automatizando algumas coisas, por exemplo, a entrega dos seus produtos, cálculos ou até mesmo agendando os posts das redes sociais em alguma plataforma que faz essa automatização. A segunda é que eu não preciso dar conta de tudo e ser ultra produtiva. Preciso, sim, descobrir e aceitar o meu ritmo e adaptar todas as mil coisas que eu quero fazer nele. Isso me trouxe, inclusive, mais clareza para descartar projetos e ideias, pois eu realmente fico só com aquilo que é realizável, interessante e que vai me dar muita alegria em fazer. Isso não quer dizer que todas as partes da realização do projeto serão prazerosas, apenas quer dizer que eu conseguirei passar por elas achando que vale a pena - e que a parte da manualidade, de tecer a peça, será muito estimulante e satisfatório.  


Mas voltando à pausa: porque ela é tão importante? Bem, para mim é uma questão de realmente desconectar e esvaziar a mente. Antes das férias eu sentia que não cabia mais nada na minha cabeça, na minha organização, no meu planejamento. Eu começava a pensar em criar projetos novos e sentia que não ia conseguir criar nada. Eu estava me sentindo sem criatividade, sem inspiração e sem ESPAÇO. Doido isso né? Mas o sentimento era esse mesmo. Fora que eu tava dormindo mal e nem todo dia estava conseguindo fazer a minha rotina de exercícios e café da manhã como eu gosto. Eu dormia e acordava pensando no trabalho, mesmo tendo a agenda organizada de uma maneira confortável. Eu percebi que é uma questão MENTAL mesmo, mais do que física ou externa. Então eu realmente não conseguia encontrar mais soluções criativas ou originais para as minhas questões. Tudo o que eu sentia era um cansaço gigante. 


Nos primeiros dias das férias eu ainda estava com dificuldade em desligar a cabeça. Toda hora eu achava que deveria estar fazendo algo, que eu estava ali deixando de fazer algo importante e necessário. Demorei uns 3 dias para entender que eu estava, de fato, de férias, e que poderia ficar sem fazer nada. Eu não precisava entrar no instagram, no email, na administração do site… não precisava postar, produzir, escrever. Para vocês terem uma ideia, na primeira semana de férias o relatório de uso do meu celular me informou que eu fiz um uso 30% menor do telefone, o que foi bom (e só não diminuiu mais porque acabei falando mais com a família). 


Mas com o passar dos dias eu consegui desligar do trabalho e curtir, de fato, as férias. E olha, foi muito bom! Comecei, inclusive, a ter novas de ideias, para novos projetos. O que foi maravilhoso até para a minha autoestima. E com todo esse processo eu entendi que: não preciso deixar chegar nesse nível de estresse, exigência comigo mesma e cansaço; e que a pausa é necessária, importante e essencial (de preferência antes de ficar esgotada). 


Por isso agora vou testar uma nova maneira de trabalhar, com mais pausas espalhadas pela agenda e com menos ansiedade e exigência de que EU TENHO QUE fazer as coisas de uma certa maneira ou em um certo período de tempo. Isso não significa que não trabalharei ou que não cumprirei o calendário a que me propus, apenas significa que eu ficarei mais atenta ao montar o meu planejamento e ao sinais do meu próprio corpo. 


Agora deixo vocês com duas cenas lindas das minhas férias: a primeira é um arbusto de lavandas lotado de borboletas branquinhas:



E a outra é a minha carinha de felicidade ao visitar, pela primeira vez, um campo de girassóis!



Espero que meu relato seja útil para você! E se você quiser me falar o que pensa sobre esse assunto, deixe o seu comentário abaixo ;)


Lembre-se:

Respire, não pire e crochete!


Beijos,


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Nascida em Brasília - DF.

Atualmente, moro em Londres.